26 setembro, 2005

Dito e feito!

A marca caiu! Mas não fui eu... :(
(não tenho o bronze adequado à tarefa e nem que tropeçasse nela a faria cair)
01:01:37 é agora o valor de referência!

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Sai um texto que traduz o espírito desta (e de todas as marafonas, por esse país) :

«A imagem do que nós somos no fim de contas, despidos de tudo, sem a nossa tralha à volta, sem o que de desnecessário nos rodeia, nos pesa, nos prende - os corredores de fundo. Magros mas fortes, mulheres e homens comuns que correm sem razão, ou pela melhor razão, só porque sim. Digo comuns porque, ao contrário dos super-heróis dos cem metros ou do decatlo, os corredores de fundo são parecidos connosco, meros mortais, e em todos eles (...) perpassa a nobreza do herói autêntico, de coração simples.
Corredores de fundo: que boa expressão, como que sugerindo uma qualidade interior, algo escavado em nós, que vai dentro de nós. Mulheres e homens correndo porque sim, porque sim, porque sim, e tanta gente com eles.
Têm isso de bom as maratonas (ou meias ou minis, não importa), pôr uns junto com os outros, e todos a correr os lugares comuns. Não uma pista de tartan igual a mil mas uma cidade concreta como não há outra; subir aquele alto que a ponte tem a certa altura e logo a seguir descê-lo, aproveitando o balanço, e depois correr num quase milagre mesmo por cima da água e chegar à cidade inventada ao pé do rio.
Correr, correr muito, até o corpo correr sozinho, até sermos só alguém que segue o seu próprio corpo, ao longe, a assobiar para o ar como os detectives nos filmes, com cuidado para não sermos notados, não vá o nosso corpo virar-se e surpreender-nos ali, assim soltos, tão desasados e abstractos; e finalmente, mesmo que não se tenha feito um bom tempo, mesmo que se seja o último classificado, passar a meta com os braços no ar e um sorriso na cara, só porque sim, um sorriso de fundo, só porque sim.
A imagem do que nós somos no fim de contas, despidos de tudo, sem a nossa tralha à volta, sem o que de desnecessário nos rodeia, nos pesa, nos prende - heróis desconhecidos, gente que brilha.»


‘Corredores de Fundo’ por Jacinto Lucas Pires