30 agosto, 2005

Ninguém sabe por que (...)

os ventos sopram sozinhos

às janelas da saudade

arrastando tempestades que nos fustigam as carnes

desfazendo com uivados o que foi a nossa imagem

resto de nós

quase aragem ...


... à janela...







Pode ser a janela sobre o vale, da casa dos meus avós, da qual me debruço como que para mergulhar na noite e no céu mais pontuado de luz, o do Alentejo...

Aproximo o meu rosto da parede e o calor que sinto é o do teu rosto, acumulado na pedra nos dias ardentes, acumulado na pele, da luta enérgica a que te entregaste já nem consciente, já rendida, momentos antes..





(As palavras iniciais, cantadas pelo Camané)

photo by Z ( S.Salvador da Aramenha, Marvão )