24 julho, 2005

E o seu corpo ...

.... nu, ali inteiro

e humilde

e doce

e a minha boca foi sozinha procurar-lhe os seios

e ela envolveu-me o pescoço num abraço maternal.

Quis amá-lo (o seu corpo) outra vez,

devagar,

aproveitar no percurso

tudo o que não entrara ainda em aproveitamento.


Porque há tanto desperdício na pressa estúpida do fim.


Amar também com a mão leve a linha da anca,


o internamento do vinco oculto,


o flanco suave doce,

o pescoço e a garganta,

a mão toda aberta na face,

o fio da pele,

uma raiva fina lenta dos dedos nos cabelos.


E depois

convocar tudo ao mesmo tempo,

procurar tudo em desespero

para estar tudo presente

na posse inteira do fim.



O corpo derramado por fim sobre o seu corpo

abandonado,

apetecia-me ficar ali,

adormecer talvez,

a minha face ao lado da sua,


ela percorria-me o dorso,

a mão suave de pacificação

como após um grande choro...








in "Na tua face" do Vergílio

(Que cedo demais aprendi a venerar...)