29 junho, 2005

Da promiscuidade entre a razão e a emoção ( II )

A ligação entre a amígdala (e estruturas límbicas relacionadas, gestoras dos impulsos e reacções emocionais ) e o neocórtex (responsável pelo raciocínio) estão no centro das batalhas ou tratados de cooperação que se travam e se estabelecem entre a cabeça e o coração, entre o pensamento e o sentimento. Estes circuitos explicam a razão por que a emoção é tão crucial para o pensamento eficaz, tanto na tomada de decisões sensatas como para simplesmente permitir-nos pensar de forma clara.




Veja-se o poder das emoções para perturbar o próprio pensamento: os neurocientistas usam a expressão “memória de trabalho” para definir a capacidade de atenção que mantém na mente os factos essenciais para levar a cabo uma tarefa ou resolver um problema, quer se trate das características ideais que procuramos numa casa enquanto examinamos diversas possibilidades, ou os dados de um problema de raciocínio num exame.

O córtex pré-frontal é a região do cérebro responsável pela memória de trabalho. Mas os circuitos que existem entre o cérebro límbico e os lóbulos pré-frontais indicam que os sinais de uma emoção forte – ansiedade, ira, etc. – podem criar uma “estática” neuronal, sabotando a capacidade do lobo frontal manter essa memória. É por isso que, quando estamos emocionalmente perturbados, dizemos que “não conseguimos pensar correctamente”, e também a razão porque uma perturbação emocional contínua pode criar défices nas faculdades intelectuais de uma criança, diminuindo a sua capacidade para aprender.


In Inteligência Emocional, de David Goleman