29 junho, 2005

Da promiscuidade entre Emoção e Razão ( I )

Para que a vida humana não fosse totalmente triste e enfadonha, Júpiter concedeu-lhes muito mais paixões que razão(...)


Além disso relegou-a para um canto estreito da cabeça, deixando todo o resto do corpo entregue ao domínio das paixões.


Por fim, opôs à razão isolada a violência de dois tiranos: a Cólera, que domina a cidadela do peito, com a fonte da vida que é o coração, e a Concupiscência, cujo império se estende até ao baixo ventre.

Como conseguirá a razão defender-se destes dois inimigos, para mais reunidos?

A vida comum dos homens mostra-o com bastante clareza: A razão apenas consegue gritar, até enrouquecer, as leias da honestidade. É rainha de quem os homens troçam e injuriam até que, cansada, se cala e se confessa vencida.



Erasmo de Roterdão




Cansada?