01 junho, 2005

Construções

Prendo-me a uma coisa simples. Pode
ser o teu rosto naquele vidro, que eu vi
e não mais esqueci.

Faço do tempo um parapeito. E
debruço-me nele, à tua espera, sentindo
na madeira o calor do teu peito.

Ergo na areia um castelo de enigmas. E
fecho-te na sua torre, a castelã que me ensinou
a entrar sem saber por onde sair.

(Mas para que hei-de sair
de onde quero ficar?)


in Geometria Variável, de Nuno Júdice