31 maio, 2005


- Espera! Sem preservativo, não.
Sério
- Ficas a pensar mal de mim se o tiver no bolso?
- Suponho que será uma precaução rotineira quando mostras a cidade às turistas...
- E tu? Em todas as viagens que fazes aceitas homens no teu quarto de hotel?
No cinema seria a deixa clássica para a bofetada teatral de menina ofendida...Mas ofendida não estava:
- Desculpa
Ele, no entanto tinha aquele talento para tudo juntar ao riso:
-Nem penses! De castigo, ajudas-me a pô-lo!
E não é que o fez? (...) Vestiu-lhe o empinado desejo com ele de joelhos à sua frente(...) Também nua de vergonha e quase esquecida do medo o puxou para ela, para sobre o peito e entre as coxas, «vem».

Os terríveis músculos apertaram-no, mas não para lhe impedir a entrada. Antes como se o quisessem abraçar, a ele e ao seu latejo, tão depressa acariciando a rósea e túrgida entrada como lhe perseguindo o fundo com a teimosia de quem não tolerava o pensamento de um milímetro dela por explorar.(...) Cruzou as pernas sobre as dele, cravando as unhas nos seus rins, curvos por desejosos de também entrarem. Foi o último instante em que se observou. O resto aconteceu num turbilhão de amantes recentes e cheios de dúvidas que, ao adivinharem cada gemido e desejo do outro, se declaram, felizes e arrogantes, feitos um para o outro...


in Olhos nos Olhos de Júlio Machado Vaz
(A minha primeira compra nesta edição da

Feira do Livro de Lisboa

(até 13 Junho) )